quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Olá gurias e piás, vou inaugurar esse blog com a coleção que desenvolvi para o inverno de 2009, mas que ainda segue a tendência deste inverno. Foi uma coleção que eu gostei muito, tanto da pesquisa e desenvolvimento, quanto do resultado final, logo, achei que valia a pena começar por ela.
O tema e o conceito dessa coleção foram baseados na relação entre a Street Art e os movimentos estudantis que ocorreram no final da década de 1960, mais especificamente em 1968.
O ano de 1968 foi sacudido por manifestações estudantis. No Brasil, com o endurecimento do regime militar, começa uma fase de forte censura política e repressão policial. Em outros países como a França, a revolta de maio opôs universitários e a polícia em batalhas violentas, onde os estudantes pediam entre outras coisas, a diminuição da burocracia dentro das universidades. Nos EUA a revolta contra o governo tinha como motivo a guerra do Vietnã, onde tantos jovens estavam perdendo suas vidas. Com isso, o mundo entra no furacão dos movimentos estudantis, sendo transmitidos de país para país através de meios de comunicação em massa, como o rádio e a televisão.
Todavia, os estudantes precisaram driblar o sistema de censura para se manifestarem e aproveitaram da Street Art como um canal paralelo aos meios convencionais de informação. Com técnicas chamadas de Grafite, Estêncil, Stckers, Lambe-Lambe, instalações, projeções de vídeos e músicas, eles intervinham visualmente em espaços públicos estratégicos a fim de atingir todo tipo de pessoa e fazer com que refletissem sobre o caos em que estavam inseridos na sociedade. Essas manifestações eram feitas de formas criativas com frases irônicas como “Imaginação ao Poder” ou “Corra, camarada, o velho mundo está atrás de você”. Isso também se refletiu na música como em “É proibido proibir” de Caetano Veloso e “Cálice” de Gilberto Gil, que foram eternizadas como slogans deste período aqui no Brasil.
Baseado neste contexto de transformações que ocorreram no nosso país, como a conquista da liberdade de expressão, da liberação sexual, o reconhecimento das lutas dos estudantes e a diversidade cultural, desenvolvi a pesquisa que serviu de base para o desenvolvimento da coleção do inverno 2009.
A influência militar é forte presença nas peças, com a utilização de cores mais sóbrias, a modelagem de alfaiataria e formas mais masculinas e com tecidos mais firmes e robustos. A Street Art veio representada por pontos de luz criados por cores em tons fortes, pelas padronagens com formas geométricas e pelas padronagens do tricôt. Já os movimentos estudantis são marcados nas peças mais despojadas, sobreposições, mistura de materiais, além de peças que refletem comportamentos de androginia e rebeldia, muito contestados na época.


Abaixo seguem as fotos da produção realizada por mim e pela minha amiga e Designer Vanessa Abdan. As modelos foram Naiara Bastos e Priscila Crivelli. O local foi cedido generosamente pela CercArt.








Esses são alguns dos looks que foram produzidos desta coleção que é composta por 60 peças, sendo o primeiro o look conceitual da coleção.
Espero que tenham gostado dessa primeira postagem, e até mais...

4 comentários:

  1. nossa parabéns, um arraso essa coleção!!!!

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  2. Parabéns, Lia... falta mesmo um blog legal de moda e comportamento...bjinhos!
    Marry

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  3. Adorei!!!
    E as peças ficam ainda mais lindas quando contextualizadas =)

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  4. A-M-E-I Lia!!!!

    Estão lindos os looks!
    Como sempre você está de parabéns amiga!
    Tudo, tudo de bom e muito sucesso com o blog!
    Estarei sempre por aqui! Tenha certeza!

    Beijoooos!

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