domingo, 29 de agosto de 2010

Hoje vou postar aqui uma curiosidade bem bacana que vi no site do G1. É uma moda que está pegando em diversos países, grafitar com tricô!! É isso mesmo, surgiu um movimento a três anos em Houston, no Texas, chamado de Yarn Bombing (Borbadeio de Novelos). A iniciativa veio com a americana Magda Sayeg, que cobriu o trinco da porta da sua loja com tricô o que chamou a atenção do público, com isso criou o grupo KnittaPlease. Esse grupo passou a cobrir estruturas públicas pelas ruas com tricô, mas o projeto mais ousado foi cobrir um ônibus com tricô. Dêem uma olhada na foto abaixo, pode?!!


Foto:KnittaPlease/BBC

O movimento já se espalhou por países como Holanda, Suécia, Finlândia, Canadá, China, Austrália e Grã-Bretanha. Quanta criatividade!
Quem tiver mais interesse é só acessar: http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL975082-7084,00-GRAFITAR+COM+TRICO+VIRA+MANIA+EM+DIVERSOS+PAISES.html

O grafite (do italiano graffiti) está se expandindo cada vez mais como uma das manifestações artísticas mais criativas que já vi. Podemos ver a sua evolução e propagação não só no mundo das artes visuais, mas também em vários outros segmentos, como na moda e design de interiores por exemplo. Se voltarmos lá no ano de 1968 vemos o grafite como forma de contestação por parte dos estudantes. Conforme já comentei no primeiro post, começou em pichações nos muros da cidade de Paris, com frases poéticas de rebeldia, outras nem tanto.
Jean-Michel Basquiat foi o “pichador” mais célebre da contracultura de 1968, que após alguns anos foi considerado como neo-expressionista e teve suas obras expostas em New York e em muitos outros países.
Aqui no Brasil hoje, acho que os mais expressivos do grafite como arte são Os Gêmeos, que têm suas obras mundialmente reconhecidas e um traço único, que quando você passa em São Paulo, por exemplo, e vê um grafite deles pelas ruas é inconfundível.
Na moda o grafite foi muito difundido na estamparia, claro que o segmento que mais o divulga é o street wear, que na verdade não trabalha só com a forma de grafite como estamparia, mas também nas formas e modelagem. E aí vou citar um movimento que é o do hip hop, caracterizado por formas amplas, calças muito largas, camisetas XXG, bonés, etc, e estampas em formas similares aquelas pichações dos muros mesmo, com aquelas letras grandes características e cores fortes. Há também o grafite mais “romântico” com aqueles bichinhos fofinhos e bonequinhos com grandes olhos remetendo aos desenhos japoneses, como a linha que segue a artista Nina Pandolfo. E há muitas outras vertentes dessa forma de arte que é o grafite, depende de quais são as inspirações do artista.


Foto:http://artistasdofreestyle.blogspot.com/


Grafite: Nina Pandolfo
Foto:http://www.rodadamoda.com/

Mas não é só no street wear que a gente vê essas referências, há outros segmentos que se inspiram na street art para desenvolver suas coleções e estamparias. Observando bem a gente vê por aí marcas que não tem nada a ver com nenhum desses movimentos que citei acima, mas que tem como referência o grafite ou alguma outra forma de street art para desenvolver uma ou outra coleção e é essa mistura de estilos e formas sem preconceitos, que deixa a moda mais criativa e versátil a cada estação.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Olá queridos, vou aproveitar esse clima de inverno sulista que se fez presente em nossa cidade neste fim de semana (ah, que saudade da minha terrinha!!) para escrever um pouquinho sobre tricô.
O tricô é uma peça que não pode faltar no guarda-roupa de inverno ou mesmo de verão, parece estranho? Não, o tricô não precisa ser só aquele com lã grossa e super quente, pode ser aquela malha fininha, que em um fim de tarde quando bate aquele ventinho ou diminui um pouquinho a temperatura vem a calhar. Hoje em dia a variedade de lãs é imensa, temos lã de origem animal, oriunda da tosa das ovelhas e também de lhamas, temos a de origem vegetal, algodão e a artificial, poliéster e acrílico, entre outras. Sem contar as variações que podem ser feitas misturando essas fibras, podendo deixar o tricô bem versátil.
Alguns estudiosos dizem que o tricô surgiu no Egito Antigo. O entrelaçamento das fibras era feito com ossos e madeiras que se assemelhavam ao que hoje conhecemos como agulhas e os faraós tinham essas malhas como um privilégio.
Mas foram os belgas que popularizaram essa técnica, introduzindo o tricô na Inglaterra, que logo transformaram as malhas rústicas em peças sofisticadas e elegantes. Com o tempo também foram criando peças do cotidiano, como meias grossas usadas pelos homens no trabalho do campo. Ao longo do tempo foram sendo inventados vários instrumentos e técnicas para facilitar e agilizar o trabalho de tricotar, até que em 1589, na Inglaterra, Willian Lee inventou a primeira máquina de tecer, que produzia malha para fazer meias. Com essa inovação, homens e mulheres começaram a trabalhar juntos no fabrico do tricô, os homens operavam as máquinas e as mulheres cuidavam de enrolar as malhas e fazer os acabamentos. Já no século XIX, com o início das guerras as mulheres assumiram as máquinas e toda a produção para preparar malhas para os soldados, chamadas de Balaclava que acabou virando moda. Na década de 1950, os cardigãs de tricô vieram com tudo, acompanhados das saias rodadas e meias soquetes, fazendo o estilo college. Mas foi no final dos anos 60 que o tricô se popularizou definitiva e firmemente no mercado da moda, ocorrendo nos anos 70 um retorno ao tricô artesanal, com pontos grossos, que indicava um estilo de vida mais ligado ao natural.
Tudo isso se reflete ainda hoje nas tendências seguidas pelos estilistas de todo o mundo, pois qual a coleção de inverno que não tem pelo menos uma pecinha em tricô? É difícil, pois cada vez mais vemos inovações com essa trama, tanto com as fibras utilizadas, quanto com a modelagem, além de ser uma peça que remete conforto e praticidade sem deixar de lado a elegância e a sofisticação.
Reforçando o que escrevi acima, aqui vai uma nota que tirei do site da Revista Manequim:

“Em toda coleção de inverno 2010 pelo menos uma peça de tricô foi aposta de estilistas brasileiros e internacionais. Alguns até criaram coleção especial dos mais variáveis modelos de vestido de luxo misturados com fios lurex ao invés das tradicional trama mais grossa, como foi o caso da marca mineira Coven, que mixou o tricô com franjas desfiadas, placas de metal e paetês. O resultado foi usado em suéteres, saias e vestidos assimétricos para festa. Para completar o charme, algumas meias foram enfeitadas com fitas de cetim e o cachecol ganhou franjas coloridas.”

Para o inverno 2010 trabalhei apenas com peças em tricô, aproveitando algumas tendências daquela coleção que postei anteriormente. Foram pequenas peças, como golinhas, pelerines, coletes e boleros. Procurei lãs e fios com texturas diferentes, que rendessem malhas diferenciadas, algumas coisas funcionaram bem, outras nem tanto. Mas sempre gosto de trabalhar com tricô e com crochê também, apesar de não saber manusear as agulhas de tricô, me satisfaço vendo que cada peça tem a sua peculiaridade, nunca saem iguais quando feitas à mão e quando vou escolher as lãs é uma delícia, tantas cores, texturas e tipos diferentes. Abaixo vou postar as fotos de algumas dessas peças, se tiverem interesse é só entrar em contato comigo, são todas peças únicas e algumas ainda tenho disponível.
As duas primeiras fotos são das minhas irmãs na França, em Paris, usando dois modelos das minhas golinhas.









Fontes: BRAGA, João. História da Moda, uma narrativa.
manequim.abril.com.br
wikipédia, a enciclopédia livre.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Olá gurias e piás, vou inaugurar esse blog com a coleção que desenvolvi para o inverno de 2009, mas que ainda segue a tendência deste inverno. Foi uma coleção que eu gostei muito, tanto da pesquisa e desenvolvimento, quanto do resultado final, logo, achei que valia a pena começar por ela.
O tema e o conceito dessa coleção foram baseados na relação entre a Street Art e os movimentos estudantis que ocorreram no final da década de 1960, mais especificamente em 1968.
O ano de 1968 foi sacudido por manifestações estudantis. No Brasil, com o endurecimento do regime militar, começa uma fase de forte censura política e repressão policial. Em outros países como a França, a revolta de maio opôs universitários e a polícia em batalhas violentas, onde os estudantes pediam entre outras coisas, a diminuição da burocracia dentro das universidades. Nos EUA a revolta contra o governo tinha como motivo a guerra do Vietnã, onde tantos jovens estavam perdendo suas vidas. Com isso, o mundo entra no furacão dos movimentos estudantis, sendo transmitidos de país para país através de meios de comunicação em massa, como o rádio e a televisão.
Todavia, os estudantes precisaram driblar o sistema de censura para se manifestarem e aproveitaram da Street Art como um canal paralelo aos meios convencionais de informação. Com técnicas chamadas de Grafite, Estêncil, Stckers, Lambe-Lambe, instalações, projeções de vídeos e músicas, eles intervinham visualmente em espaços públicos estratégicos a fim de atingir todo tipo de pessoa e fazer com que refletissem sobre o caos em que estavam inseridos na sociedade. Essas manifestações eram feitas de formas criativas com frases irônicas como “Imaginação ao Poder” ou “Corra, camarada, o velho mundo está atrás de você”. Isso também se refletiu na música como em “É proibido proibir” de Caetano Veloso e “Cálice” de Gilberto Gil, que foram eternizadas como slogans deste período aqui no Brasil.
Baseado neste contexto de transformações que ocorreram no nosso país, como a conquista da liberdade de expressão, da liberação sexual, o reconhecimento das lutas dos estudantes e a diversidade cultural, desenvolvi a pesquisa que serviu de base para o desenvolvimento da coleção do inverno 2009.
A influência militar é forte presença nas peças, com a utilização de cores mais sóbrias, a modelagem de alfaiataria e formas mais masculinas e com tecidos mais firmes e robustos. A Street Art veio representada por pontos de luz criados por cores em tons fortes, pelas padronagens com formas geométricas e pelas padronagens do tricôt. Já os movimentos estudantis são marcados nas peças mais despojadas, sobreposições, mistura de materiais, além de peças que refletem comportamentos de androginia e rebeldia, muito contestados na época.


Abaixo seguem as fotos da produção realizada por mim e pela minha amiga e Designer Vanessa Abdan. As modelos foram Naiara Bastos e Priscila Crivelli. O local foi cedido generosamente pela CercArt.








Esses são alguns dos looks que foram produzidos desta coleção que é composta por 60 peças, sendo o primeiro o look conceitual da coleção.
Espero que tenham gostado dessa primeira postagem, e até mais...